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sábado, 24 de setembro de 2011

Quem? Madeleine Vionnet

Madeleine Vionnet


Já pensou ser possível um vestido não ter nenhuma costura? Pois a francesa Madeleine Vionnet pensou sim ser possível e o fez. Através de torções no tecido, a peça ganhava forma e vida. Bacana, né? As suas técnicas de modelagem e construção de roupas foram tão inovadoras que até hoje algumas ainda são consideradas um mistério.

Obviamente nem todas as suas peças eram feitas sem costura. E ela não ficou conhecida apenas por sua forma singular de modelagem. Comumente conhecida como a inventora do corte em viés, Vionnet, segundo Betty Kirke*, extendeu seu uso. Esse tipo de corte, pouquíssimo utilizado antes de Madeleine Vionnet, permite uma maior flexibildade do tecido, melhorando seu caimento.

Ela também foi a responsável por criar novos modelos de roupas como a frente-única e os vestidos com pontas na barra.

Vestido frente-única
Diferentemente dos outros estilistas e costureiros, Vionnet não fazia croquis nem moldes. Ela montava suas roupas em uma boneca de madeira de cerca de 80cm de tamanho. Com essa técnica, o caimento de suas peças era perfeito.

Um fato curioso de sua vida foi o seu gosto pela matemática. Infelizmente, teve que parar de estudar para trabalhar, aprendendo a costurar muito cedo, com cerca de 11 anos de idade.

Mesmo assim, a matemática não sumiu de sua vida. A noção espacial que só a matemática dá foi crucial para o desenvolvimento das técnicas de modelagem de Vionnet. Através dela, ela conseguiu ter uma visão espacial do próprio corpo humano e vesti-lo de uma forma única. 

Em 1894, aos 18 anos, Madeleine iniciou um casamento que pouco durou. No ano seguinte, já separada, ela passou por várias maisons até que em 1912 abriu seu próprio ateliê, para em seguida, fechá-lo em 1914 devido à I Guerra Mundial.

Mas, em 1919 ela reabre sua maison e contiua com a sua produção. No primeiro ano da II Guerra Mundial, 1939, Vionnet fecha mais uma vez seu ateliê, dessa vez definitivamente.

Vestido com pontas na barra
Ela morreu em 1975, aos 98 anos.

Bom, uma das maiores surpresas que tive ao pesquisar a vida dela foi ao saber das condições que ela dava às suas funcionárias na época que tinha seu ateliê. Elas recebiam salários justos, férias remuneradas, tinham direito a médico e dentista, além de creche para seus filhos. Isso, para a época, era uma atitude incomum.

Agora, por que, apesar de tudo, ela não é tão conhecida como seus contemporâneos como Chanel e Balenciaga? Será por ter fechado sua maison em 1939 e só ter sido reaberta mais de 65 anos depois? É fato que houve várias tentativas de reabrir a maison antes, mas nenhuma teve tanto sucesso como a que aconteceu em 2007.

Bom, especulações à parte, confesso que, por tudo, a marca Vionnet deve permancer ativa. É uma ótima e merecida forma de trazer à tona o nome dessa mulher que trouxe grandes mudanças à moda, mas que não tem (ainda) o reconhecimento que merece. Madeleine Vionnet realmente era uma pessoa à frente de seu tempo.




* Kirke é uma grande pesquisadora da vida de Vionnet, chegando a entrevistá-la duas vezes antes da morte da estilista.

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