Como não sei assim tanto da vida do Steve Jobs, morto em 5 de outubro, vou apenas escrever o que ele representa pra mim. E o que ele, efeitivamente, representa? Ao meu ver, são (nessa ordem): a Apple, seus óculos redondos e sua blusa de gola rulê preta.
Daí a minha surpresa ao ver a notícia sobre a revelação do segredo dessa blusa, no site Chic. O portal de moda se baseia na biografia feita por Walter Isaacso, ainda não publicada, para esclarecer esse mistério. O biógrafo de Jobs disponibilizou um trecho de sua obra no site Gawker, uma entrevista em que Jobs conta como resolveu usar a tão falada blusa e o porquê:
Em viagem para o Japão no começo dos anos 1980, Jobs perguntou a Akio Morita, presidente da Sony, por que os funcionários das fábricas usavam uniformes. Akio respondeu que, logo depois da guerra, as pessoas não tinham roupas e as empresas tinham que dar a seus trabalhadores algo para vestir. Com o passar dos anos, os uniformes transformaram-se em assinaturas de estilo, principalmente em companhias como a Sony, e isso se tornou um jeito de unir os trabalhadores com as empresas. "Decidi que queria esse tipo de união na Apple", lembrou Jobs.
A Sony tinha contratado o famoso estilista Issey Miyake para criar seu uniforme - uma jaqueta feita de náilon reforçado com zíperes nos ombros, permitindo retirar as mangas e transformar a peça em um colete. Então Jobs ligou para Miyake e pediu para que ele desenhasse um colete para a Apple. Ele lembra: "voltei com algumas amostras e sugeri aos funcionários que seria ótimo se todos vestíssemos aqueles coletes. Rapaz, fui vaiado na hora. Todo mundo odiou minha ideia".
Nesse meio tempo, Jobs ficou amigo de Miyake e passou a visitá-lo frequentemente. Ele começou a gostar da ideia de ter um uniforme para si mesmo, pela conveniência diária (ou lógica, como ele definiu) e pela criação de um estilo próprio. "Então pedi a Issey que me produzisse algumas das suas camisas pretas de gola rulê que eu gostava, e ele me entregou tipo umas cem". Jobs percebeu minha surpresa quando me contou essa história, então me mostrou seu guarda-roupa. "É isso o que eu visto", ele disse. "Tenho o suficiente para durar até o fim da minha vida".
| Issey Miyake |
Issey Miyake é um grande estilista japonês que possui, além de marca própria com fortíssimo DNA, uma famosa linha de perfumes. Achei muito interessante a amizade entre ele e Jobs. Não diria inusitada, já que eles têm áreas de atuação em comum. Issey Miyake sempre teve um pé no tecnológico, basta ver suas roupas feitas com tecidos inovadores.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a ideia de Steve Jobs. O uniforme que ele queria fazer para tentar trazer uma certa unidade entre seus funcionários (e que não foi aceito), e que ele acabou por usar em si mesmo!
Era (ainda é) a marca pessoa dele, assim como seus óculos. É a simples construção de um padrão, de uma personagem. Não digo isso de forma negativa. Querendo ou não, nos baseamos na aparência. Ao se apresentar sempre da mesma maneira, com seus óculos, blusa preta, calça jeans e tênis, ele dizia duas coisas:
. Não prestem atenção em mim, que não mudo, mas sim no aparelho que apresento aqui.
. E como não mudo, se o aparelho anterior que criei foi de boa qualidade, esse também é.
São assossiações que aqui escritas parecem ter uma lógica fraca, mas que são muito eficazes na realidade. Quem nunca julgou alguém e os seus atos pela forma como se veste? Ele construiu um uniforme para si próprio e com isso criou um forte símbolo. A Apple não é apenas representada pela maçã. Jobs se converteu num símbolo da marca que criou.

































