Já tem um tempo que as semanas de moda internacionais são o foco do jornalismo de moda e não é apenas por causa dos desfiles. Bom, para começar a falar do problema, deve-se que primeiro explicar o contexto, então vamos lá.
As semanas de moda internacionais (as que são consideradas as mais importantes mundialmente) acontecem nessa ordem: Nova York - Londres - Milão - Paris. Nelas são apresentadas as coleções Resort, Couture, Pre-Fall/Spring, Menswear e Ready-to-Wear (ou Prêt-à-Porter. Considero essa o carro-chefe das semanas). Detalhe: os tipos de coleções que falei não estão, necessariamente, em ordem, porque sim, elas têm uma ordem certa para aparecer. Um dia ainda escrevo mais sobre isso...
Então, dito isso, o que é importante ter em mente aqui é a ordem das cidades. Acontece que, de uns tempos pra cá, porque me recordo que isso não é bem uma novidade, mas que agora tomou um ar mais sério, os organizadores da semana de moda em Milão querem modificar isso. Eles alegam que a data em que os desfiles serão feitos em setembro do ano que vem será tardia demais, complicando todo um calendário de produção.
A semana de moda de Milão conta com inúmeras casas de peso e sabe disso. Ela já se pronunciou dizendo que irá começar seus desfiles durante o de NY e de Londres ano que vem. Certamente isso não vai acontecer, mas o cerne desse meu texto aqui não é esse.
O que me fez escrever sobre esse problema de organização de datas das semanas de moda foi a resposta que a Condé Nast deu em relação à essa resolução de Milão. O presidente internacional da Condé Nast, Johnathan Newhouse escreveu uma carta ao Presidente da Câmara de Moda Italiana (tradução minha), Mario Boselli, que confirmando que os editores da(s) Vogue(s):
"gostam do cronograma [das semanas de moda] do modo como está organizado. Nós da Condé Nast não queremos que ele seja modificado. Nós nos opomos à mudança dos desfiles de Milão para mais cedo [calendário] a ponto deles entrarem em conflito com os desfiles de Londres ou os de Nova York ou quaisquer outros." (tradução minha)Ele ainda diz que nenhum editor das Vogues americana, inglesa e francesa irá comparecer aos desfiles que acontecerem no mesmo dia dos de Nova York e Londres. Essa seria justamente o fator decisivo e a maior demonstração de poder que a editora pode exercer sobre os organizadores da semana de Milão. Se os editores de tão famosas revistas não forem, uma boa parte do prestígio, além de repórteres e todo o pessoal da mídia também não irão.
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| Algumas marcas que desfilam na semana de moda de Milão |
É bastante interessante essa situação porque mostra o poder que as
revistas e todos que falam, comentam, criticam, etc a moda têm sobre os
desfiles (e as marcas). É relevante ter isso em mente, porque mostra
as engrenagens de uma indústria extremamente complexa, que não tem
apenas um ponto superpoderoso. Parece haver várias "mãos" que a regulam e a moldam de acordo com seus interesses.
Não acho mesmo que a semana de moda de Milão vá ficar entre as semanas de moda de outras cidades. Não é interessante, seria dividir a atenção e os flashes dos desfiles apresentados, além de todo o pessoal especializado (ou não) que fala/escreve sobre as marcas que se apresentaram. Isso sem contar com todos os compradores e afins.
Ao invés de procurarem discutir entre si e encontrar a melhor solução para os problemas que têm, em um clássico exercício de ceder um pouco, mas impor um pouco também, não, preferem cada uma ver seu lado. Não vamos mudar o calendário porque está muito confortável para nós ou irei mudar as datas estipuladas ao meu bel-prazer, sem me interessar no que isso possa repercutir, seja para mim ou para as outras semanas.
Para finalizar esses meus devaneios por hoje, fica a minha curiosidade em saber como esse "drama" irá terminar. Espero que seja da melhor forma possível.
Fontes: Style.com


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